maio 19, 2013

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Resenha: Antivida na antipeça Piolliniana

Resenha: Antivida na antipeça Piolliniana
piollin

Peça: A Pá

Direção: Haroldo Rego

Produção: Piollin Grupo de Teatro

 

 Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.
(Érico Veríssimo)  
                                                                                         
O Teatro do Absurdo chega ao Brasil em meados da década de 1950, com Esperando Godot, encenado na Escola de Artw Dramática (EAD) e depois, com espetáculos de Luís de Lima para peças de Ionesco. Nas décadas de 1960 e 1970, continuam a ser montadas peças “do absurdo”, e são dignos de nota a montagem do diretor argentino Victor García para Cemitério de Automóveis(1968), de Arrabal; a encenação de Esperando Godot (1969), com participação de Cacilda Beker e o espetáculo O Arquiteto e o Imperador da Assíria (também de Arrabal), realizado pelo Teatro Ipanema em 1971.
A peça A Pá dirigida por Haroldo Rego e produzida pelo Piollin Grupo de Teatro é Ionesquiana, por seu feitio aos modos do Teatro do Absurdo. Retrata a banalização da vida na sociedade contemporânea.  Onde o homem é bestializado nas suas ínfimas coisas do cotidiano, refletindo no espectador toda carga da pequenez a que chegou o ser humano.
Os personagens transitam entre o trágico e o cômico; vislumbrando, assim, todo um paradigma do Teatro do absurdo; apresentados através de procedimentos peculiares, tais como: situações banais, frases feitas, gestuais mecânicos repetidos incessantemente, ações sem motivos aparentes etc.; gira em círculos, num amontoado de acontecimento sem nexo real. Além disso, o enredo foge aos padrões tradicionais, onde não existem correlações entre as partes do todo. Tudo está muito solto, sem elo entre as partes, marcando estranheza na narrativa. Sem aquela de início, meio e fim determinados. Ainda, sem contar do insólito dos temas inseridos, como violência, religião, sexualidade, e morte.
Enfim, a morte (matada e banal) contida no texto e contexto faz-se presente na trama teatral metaforizada pela personagem maior ‘a pá’ que é o elo condutor do roteiro dramático. Portanto, a peça é mais que uma assimilação do Teatro do absurdo. Com uma dramaturgia apurada; conta, no elenco, aqueles que já são marcas consagradas, como: Soia, Nanego e Buda Lira; Everaldo Pontes dentre outros na sua montagem; quase todos figuras carimbadas no Teatro e cinema paraibanos, e até nacionais.
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