nov 20, 2009

Escritora | Categoria Poesias | seja o primeiro

Galega sarará

Desde que nasceu
Quando abriu os óio
Sua mãe a viu
Lhe pôs no peito
Dos zoinho azul
Do cabelo crespo.

Desde pequeninha
Muito espevitada
Não oiásse prá ela
Que queria encrenca
Perguntava logo
Se queria endereço e foto.

Era bem lorinha
Do cabelo loulo
Atenta a tudo de bom
Mas também de ruim
Não tava nem aí
Quem lhe achasse prego.

Eta sangue quente
Sempre a resposta ali
Na bucha, e na hora
Gostasse quem gostasse
Dava no mesmo
Já nascera assim.

Seguiu desse jeitinho
Prá vida toda, não criou juízo
Quem não gostasse
Que se lascasse
Até o coitado do Papa
Que lhe engolisse.

Foi, foi, foi…
Levando a vida
E ela também levando
Casou-se com um moço destrambelhado
O caba não contou conversa
Arrancou-lhe o couro.

Fora então que o mingau desandou
Ela puxou a faca peixeira
Tirou-lhe um bife da orelha
O sangueiro espirrou no ventilador
E a coisa ficou feia
A PM foi chamada.

E a galega sarará
Não ligou prá nada
Foi dançar no baile a noite inteira
Rodopiou pelo salão
Deu tanto encontrão
Nos negros de Moçambique.

A moçada detonou aos gritos
_ Galega sarará, galega sarará…
Nesse momento
É que não houve conversa
Começa aí a zoada
E não presta a parada.

Era negro prá todo lado
Parecia mais uma boiada
Uns caiam de mau jeito
Outros, eram pisoteados
E a galega nem aí
A festa enfim fora decretada.

O estrupício sarará
Era mesmo danada
Dura na queda, a safada

Não há quem dê jeito nela
Somente a mortalha
Ousará mudá-la.

Share
" alt="468 ad" class="foursixeight" />

Deixe seu comentário