maio 1, 2013

Escritora | Categoria Crônicas, Gêneros | seja o primeiro

Resenha: O Amor nos basta

Livro: Sob o amor

Escritor: Antônio Mariano

Editora: Patuá

São Paulo:2013

 

 Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? (Fernando Pessoa)

 O Amor, no mundo atual, é mera ilusão. Um mundo movido pelo dinheiro que não tem lugar para o amor – esse sentimento doce e singelo. Hoje se ama o material, isto é, tudo que o dinheiro pode comprar. Daí, a sede ser de consumo. As pessoas se materializaram de uma forma que pensam que ser feliz é se empanturrar de objetos. Vivem atormentadas pelo ter mais e mais. Não existe lugar para o amor! Quanto mais se tem, mais se quer! As pessoas são medidas e pesadas pelo que possuem. É a tal era do vale pelos dentes como burro! A pessoa humana vale pela bunfunfa na conta bancária. A vida é movida pelo dinheiro. Portanto, há exasperação pra consegui-lo; inclusive, a todo custo; custe o que custar. Não existem regras para sua obtenção. Muitos roubam, matam, passam por cima de tudo e de todos. Tipo rolo compressor; se for pra se dar bem. Vale tudo. O ser humano se emporcalhou! Come no mesmo cocho, literalmente. Imbecilizou-se no afã das suas vaidades fagueiras por causa das suas fraquezas.

 

Entretanto, o poeta Antônio Mariano, com a publicação do seu livro Sob o amor, vem contrariar toda essa lógica espúria, que só animaliza o ser humano. Essa avalanche de fatos que diminuíram tanto a pessoa humana é conjecturada de modo inconteste na sua obra. É uma prova cabal de que nem tudo está perdido. Que existe uma luz no final do túnel. Na obra, é mostrado que há uma fagulha de amor guardada, a sete chaves, dentro do ser. À página 26 pode-se ver claramente a sua tese “Pretende juntar-se/ à profissão de pássaros,/ responder processos/ pela criação dos anjos,/ meu amor por ti.// Meu amor por ti/ reabre a inquisição.” A sensibilidade de tais versos remete à uma outra realidade bem distinta daquela que se vive. O link aberto se arrasta pra outra janela de pensamento, desviando o enfoque pra um sentimento antigo mais que dois mil ano atrás: o amor. Aquele mesmo que Cristo nos deu, de bandeja, na cruz. O poeta não pára por aí, à página 29 vai mais além “Quando se vai amar,/ as teorias fora do quarto.// Como as sandálias/ ficam  esquecidas/ à porta do banheiro/ senão molham-se ou sujam.” Tais versos suscita, então, o despojamento no ato de amar, já que para amar é necessário pureza de coração; todas as teorias caem por terra.

 

Clarice Lispector, em seu livro Uma Aprendizagem Ou O Livro dos Prazeres, à página 39 diz: “A mais premente necessidade do ser humano é tornar-se ser humano”, o poeta Antônio Mariano resgata em Sob o amor esse ser humano cogitado pela escritora. O Amor é a semente profícua do ser humano.

 

Finalmente a obra, em foco, tem toda uma estética modernista com uma forma solta e ritmada à vontade do autor. E, cala fundo toda beleza humana, pois é pura lição de vida pra todo aquele que a lê. O autor impõe  a sua marca registrada de pessoa que está acima dos padrões estabelecidos na sociedade contemporânea. Contundência é o que não lhe falta; na sua argumentação é categórico, fechando com chave de ouro (‘Somente o amor salva o homem’), no seu canto XXXIX enfatiza, à página 67 “Ou o mundo não passa mesmo/ de uma grande boca/ que ao prometer um beijo,/ temos o dia, negando-o em seguida,/ ei-nos a noite?

 

Parabenizo o Poeta Antônio Mariano por tamanha singeleza e desprendimento ao expor o que está encerrado no seu âmago!

 

 

 

 

 

 

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