abr 28, 2014

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Resenha: Quando um não quer, dois não brigam

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Livro: O homem que comprou a rua
Autor: Tarcísio Pereira
Imprel
João Pessoa: 2008
FIC Augusto dos Anjos
“Não existe nenhum homem que,se puder ganhar o máximo, se conforme com o mínimo.” Friedrich Schiller
Não existe, no mundo, quem faça alguém amar,se esse alguém não queira! Nesse jogo, a regra é essa: os dois têm que estar de comum acordo. Fora nesse detalhe que Guiberto Sampaio se dera mal! Marinalva, a sua pretendida, não correspondera àquele sincero e atordoado amor. O homem, então, endoidecera! Ao ganhar 15 milhões na lotérica, comprara toda uma cidade no desejo de possuir a moça, porém saíra frustrado no seu intento e por fim, fora assassinado. Não há como se ganhar uma pessoa agindo desse modo! Inclusive, a Marinalva já havia entregue o seu coração a outro, o Ronaldo Bola. E aí, o Guiba, como era conhecido, nessa já entrara perdedor. O homem, teve tudo pra dar uma guinada na vida, mas não, preferira continuar naquela obsessão. Sim, porque tivera dinheiro pra conquistar tudo que quisesse. Inclusive, ter a mulher que escolhesse. Mas, preferira o sonho impossível. Marinalva estava casada e bem casada, não iria deixar o maridão por nada. O Guiba, realmente, endoidecera de amor (aquilo já não era amor, era frustração recolhida, ou seja, doença). Comprar toda uma cidade na ilusão de ganhar uma mulher, ele ultrapassara todos os limites. Marinalva fora sua perdição! Enfim, era fundamental saber perder, porém o Guiberto Sampaio não soubera.
Esse é o enredo da linda obra O homem que comprou a rua, de Tarcísio Pereira. Por sinal, muito bem bolado, e interessante. Trata-se de um romance rico nos arquétipos hilários da sociedade, desde um tal de Parrela – bebum filósofo; um outro, Lindomar Berro Grosso – locutor de rádio e chantagista do povo; outros mais, como o Seu Gracindo – dono do bar mais frequentado; o Zé Durval – corretor ganancioso, chantagista e fofoqueiro; a Tia Sampaio – mulher puritana, comerciante de galinhas e etc., mostram toda sensibilidade e conhecimento da alma humana do autor.
Guiberto Sampaio,o protagonista, personalidade complexa, incoerente e contraditória. Tinha tudo pra ser uma pessoa feliz, mas que não soube fazer uma escolha adequada e que se perdera no caminho; embrenhando-se pela via da ganância e do desamor, isto é, tornara-se um homem infeliz porque não fizera uma boa opção. Veja-se em:
Guiberto Sampaio Silva compreendeu, num átomo, que estava completamente cercado de inimigos. A sua própria tia o acusava e, também, assim como o bodegueiro, o locutor e como tantos outros, ela mesma estava vindo ali para tentar lhe arrancar alguma coisa. Logo ela, que até então havia recusado qualquer oferta de sua fortuna, e que ele a considerava a maior reserva de humildade e abnegação! Tia Sampaio, logo Tia Sampaio, que o aconselhara a ser um homem justo…(p. 228)
Ainda ,o foco narrativo é de 3a. Pessoa, ou seja, o narrador é onisciente. Também apresenta sabor levemente irônico/moralizante e, com uma sutil profundidade psicológica; bem ao gosto machadiano. Pode-se registrar também que, o tempo narrativo é Cronológico, manifesto, basicamente, no relato das ações do personagem Guiberto; vê-se nos fragmentos a seguir:
– Tudo em Vilaflor pertence ao Capitão Guiberto Sampaio Silva! Aqui, agora, nem padre e nem prefeito tem vez! (p.91)/ / decisão de Guiberto Sampaio chegou aos ouvidos de Lindomar Berro Grosso. Já na manhã seguinte, em seu programa na rádio da Feira Grande, a notícia foi ao ar como o principal assunto do dia. Em relação ao espaço físico, a trama se passa entre duas cidadezinhas Vilaflor e Feira Grande. Além disso tudo, apresenta uma linguagem muito prazerosa de ler, simples e direta; sem nenhuma prolixidade. São 280 pgs. de intenso prazer.
Portanto, concluo essas ínfimas considerações a respeito desse belo livro O HOMEM QUE COMPROU A RUA, dando os parabéns ao Machado paraibano Tarcísio Pereira. E desde já, convido a todos a se deleitarem com essa maravilhosa leitura!
Bravo, Mestre Tarcísio!
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