jun 1, 2014

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Resenha: Uma ideia na cabeça e uma câmara na mão

super-8

Livro: Cinema e Memória: o super-8 na PB nos anos 1970/80
Orgs.: Lara Amorim & Fernando Falcone
Editora Universitária UFPB
João Pessoa: 2013
Nem só de pão, vive o homem, mas de toda palavra de Deus.
(Mateus e Lucas 4, da Bíblia)
O Livro, em foco, é realmente um excelente acervo de discussão teórica e apreciação do público de filmes produzidos nas décadas de 70 e 80 na Paraíba. É uma pesquisa realizada através do Programa Petrobras Cultural, Cinema Paraibana: Memória e Preservação; de 92 títulos, a maioria de bitola Super-8, distantes dos circuitos exibidores.
Lara Amorim e Fernando Falcone se embasaram em filmes de posse do NUDOC (Núcleo de Documentação Cinematográfica – Campus I da UFPB), com a cooperação preciosa do professor João Gomes, seu coordenador, como também de vários cinéfilos que emprestaram acervos de propriedade particular, tais como: Alex Santos, Ana Glória Madruga, Elisa Cabral, Henrique Magalhães, Jomard M. de Brito, e Pedro Nunes; e apoio de tantos outros, como: Produtor executivo Paulo Henrique R. Sousa, o qual possibilitara a relação com a FAPE da UFPB – e FUNAPE – e também com o MINC e à Petrobras, apoios fundamentais pra respectiva pesquisa. Tal trabalho, realizado em apenas 18 meses, permitira um mapeamento da filmografia paraibana, onde foram registrados tanto o material impresso, como também, através do websitewww.cinememoria.com.br.
Em 1960, Aruanda, de Linduarte Noronha, colocara a Paraíba no mapa do Cinema brasileiro; após isso, seguiram-se outros Documentários que fecharam o Ciclo do Cinema Paraibano; tipo, O País de São Saruê (1971), de Vladimir Carvalho e outros. (p.58)
Às páginas 105/107 vê-se fragmentos dessa bela obra: “Foi no NUDOC que introduziu-se a proposta do Cinema Direto, nos moldes preconizados por Jean Rouch uma vez que, embora oficialmente só existisse meses depois, o Núcleo passou a ser a referência em formação cinematográfica da universidade.
(…)
O entusiasmo de Jean Rouch pela super-8 já fora anteriormente exposto numa entrevista que concedeu à Miriam Alencar quando veio ao Brasil participar da I Mostra de Filme Etnográfico do Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro:
A imagem é que vai falar e nesse caso, o Super-8 tem todas as condições para esse
tipo de trabalho, na medida em que há maiores facilidades de filmagens. O movimen-
to da câmara deve caminhar em função do que vê. E o filme etnográfico deve ser feito
também em função do sentimento do autor diante de um homem e sua civilização.
Através de sua subjetividade se chega à objetividade científica. Essa objetividade vai
ser observada no momento em que se projetar o filme para os que foram filmados.
Eles vão dizer se sua realidade foi ou não captada (ALENCAR, 1975, p.2)
Dentre os muitos filmes, de vários teores, constata-se que houvera uma explosão na temática da sexualidade em bitola Super-8 e 16mm, tais como: Esperando João, de Jomard M. de Brito; Acalanto Bestiale; Miserere Nobis e Terceira Estação de uma Via Dolorosa, de Lauro Nascimento; Closes, de Pedro Nunes; Cidade dos Homens e Paraíba Masculina Feminina Neutra, de Jomar M. de Brito; Baltazar da Lomba, do Grupo Nós Também; Era Vermelho seu Baton, de Henrique Magalhães; O Caso Carlota, de Machado Bittencourt; Na Cama, de Romero Azevedo; Flagrante Delito, de Rômulo Azevedo;e Perequeté, de Bertrand Lira.
Segundo tal estudo – à pg. 123 – Guthier (2011) defende o Cinema Direto: “A expressão Cinema Direto, em virtude, provavelmente, da modéstia das suas pretensões, durou mais, porém ela deixava de lado todos os documentos de arquivo que são em material importante dos ditos “documentários”. Além disso, ao lado da televisão, grande consumidora de tomadas de cenas feitas ao vivo, ela introduz uma confusão, já que “direto”, nesse sistema, não implica nada além da transmissão simultânea com a tomada de cenas, inclusive para uma peça de teatro.”
Enfim, deixo a dica de leitura! 163 páginas plena Memória Filmográfica da Paraíba; linguagem e estética ao acesso dos cinéfilos e de outro eventual leitor.

 

Ótima leitura a todas e todos!
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